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Projeto “Vida no Trânsito” em Campo Grande (MS)

Em Campo Grande, dados confiáveis nortearam ações que reduziram mortalidade

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, os resultados parciais iniciais do Projeto Vida no Trânsito já indicam o sucesso das ações. No primeiro trimestre de 2011, houve uma redução de 41% de mortes no local e nos hospitais 30 dias após os acidentes em relação ao mesmo período do ano anterior: foram 17 mortos de janeiro a março de 2011 contra 27 nos mesmos meses de 2010.
A principal ação do projeto Vida no Trânsito nesta capital foi a criação de uma base de dados confiável. Segundo Ivanise Rotta, chefe da Divisão de Educação para o Trânsito da Agetran, as ações integradas de educação, fiscalização e engenharia foram voltadas principalmente para os fatores de risco apontados nos dados da área urbana coletados e tratados: velocidade, álcool e infraestrutura.
“Temos tratado os locais com acidentes fatais colocando dispositivos de segurança e melhorando a engenharia. Na entrada da cidade, onde havia ocorrido três mortes, após o redutor de velocidade não houve mais nenhum acidente”, conta Ivanise. Segundo ela, os dados apontaram como públicos-alvo os grupos de vítimas formados por motociclistas, ciclistas e pedestres, por serem vulneráveis.
Além do tratamento de locais críticos, a cidade ganhou novos controladores de velocidade e avanço de sinal. A fiscalização específica para motociclistas foi intensificada, assim como a da lei seca, principalmente nos horários e dias onde há maior ocorrência de acidentes graves e fatais. Além das blitzes fiscalizatórias, são realizadas blitzes de presença e educativas. A Secretaria Municipal de Saúde recebeu 171 mil, aplicados em materiais de apoio principalmente nas campanhas educativas.
Muitas ações efetivas e continuadas foram realizadas, entre as quais destacam-se:
o Grupo de vítimas Motociclistas e Jovem Condutor;
palestras sobre os fatores de risco em Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas) e Semanas Internas de Prevenção de Acidentes no Trabalho (Sipat) em escolas, empresas e com profissionais do transporte;
o Sistema Dinâmico de Melhoria Contínua Escola Segura, no qual escolas são capacitadas e monitoradas por seis meses para desenvolverem ações efetivas de educação para o trânsito e premiadas com selos municipais de qualidade Ouro, Prata ou Bronze;
o Projeto Olho Vivo, desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros para escolas e comunidades;
o Projeto Cidadania, no qual a OAB/MS vai até a população discutir questões éticas no trânsito;
o Juri simulado, que discute casos de uso de álcool no trânsito nas cinco universidades da Capital;
o Clube do Setinha, que abrange crianças de 4 a 12 anos enquanto suas condições de pedestre, ciclista e passageiro;
o Placar da Vida placardavida.blogspot.com;
a pintura de estrelas no chão nos cruzamentos onde ocorreram mortes no local em 2010;
colocação de placas com o dizer "Viva e reflita a vida" em 14 cruzamentos onde ocorreram mortes;
a campanha "Pedestre, eu cuido!", para reforçar o respeito à faixa de pedestre.
Ivanise explica que o desenvolvimento dos projetos e ações são realizados em parcerias firmadas pelo Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito (GGIT), que funciona como comitê executor do projeto Vida no Trânsito. Cada um dos 24 órgãos que compõe o GGIT trabalha com recursos próprios.
“A população e a mídia local acompanham o Placar da Vida, que divulga nossos mortos diariamente, falam das estrelas e estão realmente preocupados com o que podemos fazer para melhorar o trânsito em Campo Grande.
Ivanise ressalta a importância do lema “Eu me comprometo”:
“Não se consegue modificar a cultura de um povo se ele não se comprometer a mudar. O trânsito muda quando eu mudo”, diz. Ela pondera, entretanto, que a educação, a fiscalização e a engenharia não se tornam eficazes sem a contribuição do judiciário.
Para 2012, além dos recursos limitados dos órgãos que compõem o GGIT, o Ministério da Saúde encaminhará à saúde municipal R$ 200 mil, que serão investidos principalmente em Campanhas de Educação para o Trânsito e material de apoio para os projetos. A meta, segundo Ivanise, é reduzir em 6% o número de mortos e feridos graves por 10 mil veículos e/ou 100 mil habitantes.
“Continuamos infelizmente com o grande problema da velocidade. As vias são largas e planas e não há congestionamentos, o que é um convite à velocidade. O álcool e sua a combinação com a direção não é visto por muitos como problema. E há ainda a questão do motociclista, que é o mais vulnerável dos grupos de vítimas, pois além de estar desprotegido como o ciclista e o pedestre, tem o agravante da velocidade. Podemos considerá-los como ‘pedestres voadores’", diz.
Apesar do enorme desafio, Ivanise pensa positivamente:
“Não devemos desistir nunca. Existe uma estratégia de proatividade e parceria que é aplicável e efetiva. Precisa de muita paciência, informação, dados estatísticos confiáveis para agirmos com eficácia. Não basta ser eficiente, precisamos nos envolver completamente, com toda nossa energia, acreditar, se entusiasmar com a idéia de um trânsito seguro para nós e para todo o mundo”, diz Ivanise, que é mestre em Educação na área de formação de professores, atriz e diretora de teatro.

Mais informações:

Placar da Vida

Ações em outras cidades

Belo Horizonte, MG

Curitiba, Paraná

Palmas, Tocantins

Teresina, Piauí

Saiba mais:

Site do projeto Vida no Trânsito
Projeto Vida no Trânsito - Plano de Ação Componente Nacional

Portaria 3.023 do Ministério da Saúde

UN Road Safety Collaboration

Decade of Action for Road Safety 2011-2020

Quadro dos valores destinados aos estados e respectivas capitais