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A sinalização vertical e os pórticos

Capítulo 4.2 do Manual de Segurança Rodoviária de Adriano Murgel Branco (1999)

4.2.1 Sinalização Vertical

O painel de sinalização nas estradas é o mais antigo dos métodos de sinalização e cujo valor se renova a cada instante, com as novas técnicas de comunicação. Através dele se provoca um aprendizado inconsciente, se transmite uma mensagem de uso imediato, se adverte o motorista de situações que vão se apresentar adiante. Bem planejado, o painel acaba por se integrar à paisagem.

Bem concebida, a sinalização evita acidentes, orienta os usuários da estrada; mal concebida, ela desorienta e provoca acidentes.

Por esse motivo, a sinalização deve ser bem regulamentada, de forma a que se tenha um só sinal e sempre apresentado da mesma forma, para cada indicação que se quer fazer. É preciso que o motorista retenha no seu subconsciente o significado de cada sinal, para que responda com rapidez e precisão à mensagem que se lhe quis transmitir.

Segundo os conceitos contidos no manual “Voiries à Faible Trafic”, produzido em 1985 pelo “Service d’Études Techniques des Routes etAutoroutes” da França, para que a sinalização seja eficaz é preciso considerar os princípios seguintes:

Princípio de Valorização: Há uma hierarquia na importância da mensagem transmitida. É necessário valorizar as mensagens importantes (perigo, cruzamento, direção etc). Essa valorização deve se fazer em 2 planos:

- Facilitar a percepção das mensagens importantes, utilizando as indicações limitadas ao estritamente necessário.

- Evitar que mensagens importantes sejam utilizadas quando não correspondem a uma realidade física. Por exemplo, o uso excessivo de placas como “curvas perigosas” ou “velocidade limitada” tende a desvalorizá-las aos olhos dos usuários.

Princípio da Concentração: Visa a permitir ao usuário aprender num só golpe de vista vários painéis e em particular aqueles relativos a um mesmo objetivo. Esta concentração é necessária para uma percepção melhor e mais rápida. Todavia, esse princípio tem seu limite na possibilidade dos usuários de perceber as informações. Um número muito grande de mensagens corre o risco de gerar uma percepção parcial, o que vai de encontro a uma boa eficácia. Se um grande número de informações devem ser transmitidas, elas podem ser repetidas por vários painéis em que o espaçamento é função das velocidades praticadas.

Princípio da Legibilidade: Para ser percebida o mais eficazmente possível, a sinalização deve ser, em primeiro lugar, visível (implantação da placa) e, em segundo, legível, o que implica em que a mensagem seja clara, simples e apresentada de uma maneira homogênea no conjunto da rede.

Além disso, os objetivos de boa percepção e compreensão serão mais facilmente alcançados se algumas regras simples forem observadas:

- a uniformidade necessária da sinalização implica em proibição de uso de sinais não regulamentados.

- a simplicidade se obtém evitando a superabundância de sinais, que fatiga a atenção do usuário, que tende, assim, a negligenciar as indicações.

- a continuidade das direções sinalizadas, que permite evitar hesitações e manobras equivocadas em cruzamentos, deve ser assegurada.

Segundo os mesmos autores, a sinalização indicadora de perigo, bem como a de interseção priorizada e a de prescrição (regras a serem obedecidas segundo o Código) pertencem a uma hierarquia principal, porquanto a sua desobediência implica em sanção ao motorista e sua ausência pode levar a uma responsabilidade penal dos administradores da estrada. Já a sinalização de indicação ou de direção visa melhorar o conforto do automobilista, contribuindo para a sua segurança, mas não gerando responsabilidades tão graves.

Para que os painéis de sinalização cumpram bem a sua finalidade, deverão obedecer os princípios antes enumerados, manter-se limpos e legíveis, contando com uma conservação adequada. Placas de sinalização de cabeça para baixo, ilegíveis ou escondidas atrás do mato, mais perturbam do que auxiliam.

Figura 1

Figura 2

Figura 3

As placas mais simples, aplicadas às margens das estradas, são fabricadas com chapas de aço, zincadas ou não, e pré-pintadas, sobre as quais se desenham os sinais desejados. Para alcançar maior durabilidade, podem ser de alumínio ou de fibra de vidro.

Quando as dimensões são maiores, as placas se compõem de painéis, normalmente de alumínio, que se justapõem e se fixam numa estrutura, formando conjuntos de mais de uma dezena de metros quadrados.

Na Europa se utilizam perfis extrudados de alumínio, que se encaixam uns aos outros, formando um painel estruturado de boa resistência e bom acabamento.

As dimensões das placas são consequências do volume de tráfego da estrada e da velocidade de circulação, pois é preciso assegurar ao condutor do veículo o tempo necessário para ler e assimilar a mensagem, bem como reagir a ela. Os manuais de construção rodoviária, assim como os manuais de sinalização dos organismos rodoviários, têm normas detalhadas sobre dimensões e conteúdos das placas.


Para assegurar maior visibilidade, principalmente à noite, quando os índices de acidentes crescem, as placas de sinalização principalmente nas rodovias de maior tráfego, devem ser do tipo refletivo, o que se obtêm através da colagem de películas refletivas sobre a base de metal ou fibra.

As películas refletivas têm o mesmo princípio das micro-esferas de vidro “mergulhadas” ou “inclusas” numa massa colante, que faz com que os 40% da esfera fiquem acima dessa massa, de forma a provocar a refração da luz incidente, devolvendo-a na mesma direção do foco emissor. Assim, a luz do farol refrata na película e volta em direção ao carro, promovendo o brilho intenso da mensagem. Atualmente utilizam-se micro-prismas de vidro, em lugar das microesferas, obtendo uma retro-refletância 10 vezes maior do que no primeiro caso. É a chamada película de “grau diamante”, segundo a nomenclatura do fabricante 3M, que oferece o material com 3 tipos: grau técnico (esferas inclusas); alta intensidade (esferas encapsuladas) e grau diamante.

Tal como no caso da sinalização horizontal, a vertical também deve ser objeto de manutenção, principalmente limpeza. Sem ela, as placas vão degradando a sua capacidade de retrorefletância.

Figura 4

Placas pequenas são habitualmente montadas em suportes leves, de madeira ou de aço, o que já configura um certo risco de agravamento de acidentes quando um veículo desgovernado colide com eles. Em alguns países se tem estudado suportes com uma seção frágil, que rompa no caso do acidente, ou aplicados em um solo maleável como, por exemplo, um colchão de areia.

Mas na medida em que se aumentam as dimensões da placa, exigindo-se, devido aos enormes esforços que podem ser causados por ventos muito fortes, suportes de grandes dimensões, é inevitável fazer com que esses suportes sejam protegidos através de barreiras ou defensas metálicas. Na verdade, é o usuário do veículo que estará, assim, protegido.


4.2.2. Pórticos

Uma forma de sustentação das placas de sinalização de grande porte e que lhes garante a melhor visibilidade é através dos pórticos e semi-pórticos, que são construídos normalmente de aço zincado, podendo ainda serem vistos modelos de concretos protendido ou alumínio.

figura 1

Os pórticos devem ser calculados em função da necessária resistência ao peso próprio, acrescido do peso das placas e daquele de algum funcionário de manutenção. Mas também devem ser calculados para resistir às pressões dos ventos máximos sobre as placas, o que faz com que normalmente os esforços horizontais sejam maiores que os verticais.

Desenhos estruturais existem à vontade: composições com tubos, treliças de diferentes formas, etc. Mas nem sempre os pórticos têm sido adequadamente calculados, ocorrendo arrancamento da base, torção de colunas ou flexão da viga horizontal devido a ventos muitos fortes.

figura 2

Anos atrás o autor deste trabalho procurou desenvolver um pórtico mais esbelto, que tivesse uma presença pouco notada atrás das placas, e o concebeu, como visto na França e na Alemanha, sob a forma de tubos de seção retangular, com as dimensões dos retângulos exatamente adequadas aos esforços recebidos. Tais tubos de seção retangular foram feitos a partir de dois perfis de chapa dobrada em forma de U e soldados um ao outro, já contando com uma contra flecha na viga horizontal.

Os cálculos básicos foram desenvolvidos pelo prof. Otávio Gaspar Ricardo, que obteve para o pórtico a esbeltez desejada, como mostra a figura ao lado.

Neste projeto teve-se um cuidado adicional: ligar a viga principal às colunas não só pela junção parafusada, mas também através de uma corrente robusta por dentro dos tubos, como uma segurança adicional, no caso de algum choque por em risco a estabilidade da viga, cuja queda na estrada poderia provocar grave acidente.

Nos Estados Unidos é comum projetarem-se pórticos de seção circular, que não é a figura mais econômica. Mas como é fácil encontrar-se tubos de grande diâmetro e várias espessuras no mercado, a construção feita leva a bons resultados.

Finalmente, é preciso chamar a atenção, também aqui, para a necessidade de se colocarem defensas ou barreiras na frente das colunas dos pórticos para evitar acidentes que podem atingir grandes proporções.

figura 3


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