Rede SARAH: Internações de vítimas de acidentes de trânsito no 1° semestre 2009
Caracterização dos pacientes, das lesões, dos acidentes.
Relatório de pesquisa publicado no portal da Rede SARAH. 799 casos
Os Acidentes de Trânsito foram responsáveis por um total de 799 internações nos hospitais SARAH-Brasília, SARAH-Salvador, SARAH-Belo Horizonte e SARAH-São Luís no período de 01/01/2009 a 30/06/2009, correspondendo a 44,7% do total de internações por Causas Externas.
Do total de pacientes que sofreram Acidente de Trânsito, 51,6% foram internados no hospital SARAH-Brasília, 12,6% no Hospital SARAH-Salvador, 20,9% no Hospital SARAH-Belo Horizonte e 14,9% no Hospital SARAH-São Luís. Dos pacientes admitidos pelo SARAH-Brasília, a maioria foi proveniente do Distrito Federal (22,1% dos casos) e do Estado de Goiás (12,4%).
Brasília (definida pelas regiões do Plano-Piloto, Lagos Sul e Norte e Park Way), Taguatinga e Ceilândia, foram as cidades de procedência de 56,0% dos pacientes provenientes do Distrito Federal internados no SARAH-Brasília. Dos pacientes admitidos pelo SARAH-Salvador, a quase totalidade (84,2%) foi proveniente do Estado da Bahia, cuja capital (Salvador) e o município vizinho (Feira de Santana) responderam por 32,9% dos casos registrados. Dos pacientes admitidos pelo SARAH-Belo Horizonte 68,3% foi proveniente do Estado de Minas Gerais, cuja capital (Belo Horizonte) e os municípios Contagem e Betim da região metropolitana responderam por 26,3% dos casos registrados.
Dos pacientes admitidos pelo SARAH-São Luís, 55,5% foi proveniente do Estado do Maranhão, cuja capital (São Luís) respondeu por 28,8% dos casos registrados.
Os pacientes investigados caracterizaram-se por serem, em sua maioria, jovens e adultos jovens, homens (70,2%), solteiros (58,4%), com escolaridade até o ensino fundamental (40,8%) e residentes em área urbana (87,2%).
O predomínio do sexo masculino entre as vítimas de Acidente de Trânsito é um traço fortemente característico desse tipo de acidente (1). A proporção de 7 homens para cada 3 mulheres feridas pôde ser verificada nas faixas etárias de 25 a 29 anos e de 40 a 49 anos.
Observou-se, no entanto, que para menores de 20 anos os pacientes do sexo masculino e do sexo feminino praticamente se equipararam, em termos proporcionais. Essa proporção na distribuição das vítimas de Acidentes de Trânsito por sexo é corroborada por estatísticas internacionais e nacionais: em 1998, 73,2% do total de vítimas de acidente de trânsito no Brasil eram de sexo masculino (2).
A maior incidência isolada de casos de lesões decorrentes de Acidentes de Trânsito ocorreu na faixa de 20 a 24 anos, sendo que a maioria dos pacientes investigados feriu-se entre os 15 e os 39 anos (67,3% dos casos), faixa etária que engloba adolescentes e adultos jovens. Merece destaque, ainda, as faixas de 20 a 24 anos (20,0% dos casos) e de 25 a 29 anos (16,6%) que, juntas, somaram 36,7% de todos os pacientes feridos em Acidentes de Trânsito. A idade que os pacientes possuíam na ocasião da lesão variou de 0 a 79 anos, tendo-se registrado a idade média de 29,1 anos (desvio padrão de 13,6 anos).
A distribuição etária dos pacientes é muito semelhante à distribuição etária das vítimas de Acidentes de Trânsito no Brasil, publicada pelo Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) (3). A faixa etária de 15 a 24 anos concentrou a maior incidência isolada de vítimas desse tipo de acidente em ambas estatísticas, podendo-se verificar que mais da metade das vítimas de acidentes de trânsito possuíam entre 15 e 34 anos.
Caracterização das lesões
Os Acidentes de Trânsito investigados produziram, predominantemente, lesões medulares e lesões cerebrais, representadas, em sua totalidade por traumatismos crânio-encefálicos. Os neurotraumas consubstanciam, portanto, o padrão das lesões verificadas entre as vítimas desse tipo de acidente: somadas, as lesões medulares e as lesões cerebrais foram responsáveis por 83,0% das internações registradas.
As paraplegias foram responsáveis por 66,0% do total de casos registrados de lesão medular, que foram classificadas, predominantemente, como lesões medulares completas (ASIA A = 62,5% dos casos).
As lesões ortopédicas constituíram a terceira causa de internação mais freqüente dentre os pacientes vítimas de Acidentes de Trânsito, concentrando-se a maioria (73,0% dos casos) dessas lesões na região dos membros inferiores, particularmente na perna.
Vale destacar que a quase totalidade (95,2%) das lesões neurológicas observadas nesse tipo de acidente referiram-se a lesões do plexo braquial.
Os acidentes envolvendo automóveis, utilitários e caminhonetes foram os eventos geradores da maior parte das lesões medulares verificadas (52,4%). Os acidentes envolvendo automóveis e motocicletas geraram percentuais idênticos de lesões cerebrais (37,8%). Nas lesões ortopédicas predominaram os acidentes por motocicletas (46,1%).
Entre as lesões neurológicas registradas, 81% se deram em acidentes envolvendo Motocicleta.
Entre os pacientes admitidos para internação pelos hospitais da Rede SARAH 57,7% foram resgatados no local do acidente por equipes especializadas. Para os resgates não-especializados teve como padrão, de acordo com o relato dos pacientes, o socorro por transeuntes ou outras pessoas envolvidas no mesmo acidente.
Caracterização dos acidentes
Os Acidentes de Trânsito investigados envolveram seis categorias de meios/modos de locomoção: 1) Automóvel, Utilitário ou Caminhonete; 2) Caminhão ou Ônibus; 3) Motocicletas; 4) Bicicletas; 5) A pé; e 6) Outros meios/modos.
A constatação de que maioria dos pacientes sofreu o acidente, cuja lesão motivou sua internação na Rede SARAH, enquanto eram ocupantes (condutores ou passageiros) de Automóvel, Utilitário ou Caminhonete reflete diretamente a alta representatividade desses tipos de veículo na frota nacional e, também, o alto envolvimento desses veículos em acidentes de trânsito no Brasil - em 1998, essa categoria de veículos foi envolvida em 73,8% desses acidentes no país (4).
Ressalta-se, no entanto, que o número de acidentes envolvendo motociclistas tem aumentado rapidamente, passando de 22% em 1999 para 39% em 2009, quase que se equiparando aos acidentes envolvendo Automóvel, Utilitário ou Caminhonete, registrando um aumento de 74% em 10 anos. Dentro desta perspectiva, pode-se esperar que, em breve, as internações associadas aos condutores de motocicleta ultrapassem as internações associadas aos condutores de Automóvel, Utilitário ou Caminhonete.
A maioria dos Acidentes de Trânsito investigados ocorreu em rodovias (51,6%), seguidos por aqueles que se deram em vias urbanas (incluindo-se nesta classificação as rodovias em perímetro urbano).
A maioria dos acidentes (72,4%) envolvendo Automóveis, Utilitários ou Caminhonetes ocorreu em rodovias. Nas vias urbanas, os pacientes se feriram, majoritariamente, enquanto eram condutores ou passageiros de motocicletas (47,9% dos casos) e bicicletas (47,5%).
Como era de se esperar, a maioria (71,4%) de pacientes que se locomoviam A pé foi atropelada em vias urbanas.
A maioria (60,1%) dos Acidentes de Trânsito ocorreu no período diurno, concentrando-se entre 14:00 e 19:00 horas, período em que se registrou 37,6% do total de acidentes.
A maior incidência dos acidentes foi registrada em torno de 18:00 horas, horário no qual se verifica um grande volume de veículos e pedestres em trânsito e, também, a decrescente iluminação natural. Vale destacar que esse período de cinco horas (de 14:00 a 19:00 horas) manteve-se como preponderante, no que diz respeito à ocorrência de acidentes, independentemente do dia da semana em que esses ocorreram. Essa constatação é consistente, ainda, com o verificado nacionalmente em 1998, quando 56,8% dos acidentes registrados ocorreram de dia, segundo a classificação do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) (5). Para nenhuma das categorias de meios/modos de locomoção envolvidos nos acidentes investigados, o período noturno foi relevante estatisticamente.
Quase a metade (42,6%) dos acidentes em análise ocorreu no sábado e domingo, distribuindo-se os acidentes restantes de modo praticamente idêntico pelos demais dias da semana.
A distribuição dos Acidentes de Trânsito pelos dias da semana revelou diferenças, quando analisados segundo o tipo de via em que ocorreram. A maioria dos acidentes registrados em rodovias ocorreu nos domingos (54,6% dos casos), segundas (57,0%) e terças-feiras (58,1%).
O principal motivo do deslocamento dos pacientes na ocasião em que ocorreram os acidentes foi o lazer (53,0% dos casos). Deslocamentos motivados pelo trabalho foram verificados nos acidentes de 30,8% dos pacientes admitidos pela Rede SARAH.
Mais da metade dos acidentes cuja motivação de deslocamento foi o lazer ocorreu em rodovias. O mesmo se verificou relativamente aos deslocamentos motivados por trabalho e estudo, o que pode manter relação com o fato de que as rodovias são, muitas vezes, trajeto obrigatório de ligação entre o local de residência e o local de trabalho - como é o caso, por exemplo, daqueles pacientes que residiam nos municípios de Lauro de Freitas ou Camaçari e que trabalhavam na cidade de Salvador; ou ainda o caso dos pacientes que residiam em alguma das cidades-satélites de Brasília (cidades que concentram aproximadamente 80% da população do Distrito Federal) e que precisavam transitar por rodovias até chegarem ao Plano-Piloto da Capital Federal (onde se concentram quase 70% das oportunidades de trabalho).
Nas vias urbanas, a principal motivação dos deslocamentos foi o consumo de bens/serviços. Nessa categoria de motivação de deslocamento, bem como na de lazer e trabalho os homens foram majoritários. Em relação ao estudo o resultado foi o inverso: as mulheres representaram 65,7% dos casos.
Solicitados a identificar a(s) causa(s) do acidente sofrido, a maioria dos pacientes (76,2%) atribuiu aos comportamentos e/ou atitudes humanas a causa de origem do evento - isto é, atribuiu-se majoritariamente ao condutor do veículo em que se encontrava o paciente, ou a si mesmo (quando o paciente era condutor ou pedestre), ou ainda ao condutor de outro veículo envolvido no acidente, a causa primária do acidente. Apenas 14,1% das respostas indicaram algum aspecto da via como causa do acidente, e um número ainda menor alguma deficiência mecânica do veículo (como estouro de pneus, perda de freios etc.).
De acordo com os pacientes, em 72,1% dos acidentes verificados não houve consumo de bebida alcoólica, em qualquer quantidade, por nenhum dos envolvidos. O consumo de álcool antes do acidente foi admitido por 27,0% dos condutores ou pedestres.
1 – SUSAN P. Baker et. al. The Injury Fact Book. New York, Oxford University Press, 1992, p. 216.
2 – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. DENATRAN. Informe Estatístico, 1998. Brasília, DENATRAN, 1998.
3 – IBGE. Anuário Estatístico do Brasil, 1996. RJ, IBGE, 1996.
4 – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. DENATRAN. Informe Estatístico, 1998. Brasília, DENATRAN, 1998.
5 – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. DENATRAN. Informe Estatístico, 1998. Brasília, DENATRAN, 1998.
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