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Motociclista, fazendo curvas

Pilotar em retas é fácil, difícil é fazer curvas

Pilotar uma moto em retas é fácil; difícil é fazer curvas. Muitos acidentes acontecem nesta situação, principalmente com as Superesportivas, devido normalmente à alta velocidade (embora tecnicamente sejam as melhores de curva (nota 29)). As Custom são ruins de curva “por natureza” (nota 30). Ao contrário dos automóveis, em que o motorista, durante as curvas, mantém-se praticamente imóvel, nas motos o piloto precisará deitar o corpo (e a moto), e isto é o que fará com que ele faça a curva. Entretanto, quanto menos a moto inclinar maior será o contato dos pneus com o solo e, portanto, melhor será a aderência. O guidão praticamente nem será girado.

figura 01

Aliás, alguns pilotos experientes fazem uso de uma técnica chamada “contra-esterço”, que consiste em girar o guidão meticulosamente para o lado contrário ao da curva. Por incrível que pareça, isto funciona. Pelas leis da física, quando eu tenho uma roda girando e provoco um movimento para algum lado horizontal, esquerda ou direita, a reação do conjunto, no caso, a motocicleta, é exatamente de provocar uma reação para o lado contrário.

Portanto, se você vai fazer uma curva para a direita, acredite, você deve dar um pequeno comando, um impulso no guidão para a esquerda. Com isso a moto vai inclinar para a direita que é o sentido desejado da curva.
Esta técnica só deve ser aplicada para velocidades acima de 40 km/h.

figura 02

Fazer curvas envolve conceitos da Física, onde atuam a força da gravidade (que puxa o piloto para cair para dentro da curva) e a força centrífuga (que puxa o piloto para fora da curva). Estas duas forças se equivalem até o ponto em que se equilibram (e a resultante dá exatamente sobre o ponto de apoio com o pneu no chão), e assim a motocicleta efetua a curva.
“Trocando em miúdos”, na prática, isto significa que a tendência da moto na curva é seguir em linha reta. Quanto maior a velocidade e mais pesada for a moto, mais forte será esta tendência. Incontáveis acidentes já aconteceram em ocasiões onde o piloto não conseguiu fazer a curva e seguiu reto. As fases de uma curva são: a tomada (adequação da velocidade em função das variáveis raio da curva, aderência do piso, etc), o ponto médio e a saída da curva.

figura 03

Em princípio, não se deve frear no meio de uma curva. A redução de velocidade ou frenagem deve ocorrer antes de se entrar nela, na fase de “tomada”, quando a moto ainda está na vertical. Por isso, você deve avaliar corretamente e frear no momento certo para não entrar muito rápido na curva, sob pena de não conseguir vencê-la (os erros de avaliação na fase de “tomada” são os principais responsáveis por acidentes em curvas). Mesmo em curva, nós temos uma pequena capacidade de frenagem, desde que não estejamos fazendo curvas extremamente inclinadas. Numa emergência, se sentir que passou dos limites e não conseguirá contorná-la, então use os freios de forma bastante suave para não derrapar, pois a motocicleta estará inclinada e as chances de um tombo são grandes. Portanto, preferencialmente deve-se fazer a curva sem frear, manter a aceleração constante (fase do “ponto médio”) e só aumentar a aceleração quando tiver completado a curva, voltando à posição do corpo e da moto para a vertical (fase de “saída”).
Com relação à posição do corpo durante a curva, existem várias técnicas.
A técnica da “posição neutra” consiste em inclinar o corpo e a motocicleta igualmente, no mesmo grau e no mesmo sentido. Observe a figura acima. O motociclista está inclinado e perfeitamente alinhado com a motocicleta. A força da gravidade e a força centrífuga estão em perfeito equilíbrio. Esta técnica é a mais fácil, a mais estável, a mais segura, a mais recomendada. Incline o corpo juntamente com a moto na mesma medida. O grau de inclinação vai depender do estilo e do tamanho da moto, da velocidade, do raio da curva e da aderência da pista. Quanto maior for a velocidade e o grau da curva, maior será a inclinação requerida do conjunto (moto e motociclista). Cada moto possui o seu limite e cabe ao piloto conhecê-lo, além do seu próprio. O piloto deve iniciar o movimento de inclinação em velocidade constante. A aceleração deve ocorrer na saída da curva. Na técnica da “posição neutra”, a mais recomendada como já dissemos, muito embora o corpo do piloto esteja inclinado, durante a curva, a cabeça deverá permanecer ereta, fixando o olhar para o ponto mais adiante possível, visando antecipar-se a surpresas como óleo na pista, areia solta, buracos, obstáculos, animais, veículos na contramão, etc.

A habilidade em se fazer curvas consegue-se na prática, combinando treino e bom senso. Inicia-se com muita cautela até se adquirir confiança. Lembre-se: nas curvas, o ângulo de visão é limitado, e também é onde os caminhões com os tanques cheios costumam derramar óleo diesel. Cuidado também com pista molhada: a aderência diminui bastante. Nesta situação, incline menos a moto e mais o corpo do que habitualmente o faria. Em algumas situações, como mencionado anteriormente, o grau de inclinação do corpo do piloto será maior que o da moto (exemplos, alta velocidade, piso escorregadio).
O motociclista deve ter uma forte preocupação em não errar a curva, pois isto pode gerar um grave acidente, já que, ao passar reto, pode-se “simplesmente” sair da estrada ou, o que é pior, invadir a outra pista e bater no outro veículo em sentido contrário. Por prudência não faça as curvas ao lado de veículos grandes, como ônibus e caminhões. Não é raro seus motoristas perderem o controle do veículo nestas circunstâncias.
Com garupa, o centro de gravidade da moto é alterado, afetando a dirigibilidade da moto. O garupa deve sentar-se o mais próximo possível do piloto e acompanhar seus movimentos. O garupa não deve portar nenhum objeto pontiagudo. Acompanhado, a responsabilidade do piloto aumenta.

figura 04

Em relação à posição do corpo do piloto nas curva, existe uma outra técnica chamada de “contra-peso” a qual consiste em inclinar o corpo para o lado oposto ao da inclinação da moto. Esta técnica deve ser usada em situações específicas, por exemplo, no caso onde o piloto necessita fazer curvas extremamente fechadas em baixíssima velocidade. Nesta situação, você precisa inclinar muito a moto para que ela faça a curva. Mas como você está em baixa velocidade, você não tem a força centrífuga necessária para contrabalançar a força da gravidade que quer derrubar você. Se, nesta situação, você aplicar a técnica da “posição neutra” você poderá cair para dentro da curva, por falta de força centrífuga. Então, você equilibra a moto contra o seu peso e dessa forma você dá a inclinação suficiente na moto para fazer a curva sem o risco de ser “vencido” pela força da gravidade. E assim você faz raios extremamente pequenos de uma forma bastante rápida. Uma outra situação de uso dessa técnica seria no caso de necessitar de um desvio rápido de trajetória, por exemplo, para desviar de um buraco ou de um veículo que corta a sua frente.
Nos circuitos, os pilotos de competição usam uma técnica chamada “Hanging-Off” ou “pêndulo”, onde praticamente “saem da moto” (colocam o corpo para fora e para baixo da moto, diminuindo assim o centro de gravidade do conjunto; chegam a tocar o joelho no solo; concentram o peso sobre a pedaleira interna à curva). Com esta técnica eles conseguem fazer a curva inclinando menos a moto, se comparado com a técnica da “posição neutra”, ou seja, ganha-se altura de inclinação para a mesma velocidade. Dessa forma eles conseguem dar potência na roda traseira mais cedo. Por estar a moto menos inclinada ela tem mais capacidade de tração. Mas isto não é coisa para os motociclistas “normais” do dia a dia.
Nas ruas, o pêndulo não deve ser usado, pois quando o piloto desloca o centro de gravidade para fora do perímetro da moto, ele não consegue alterar rapidamente a trajetória da moto para desviar de um obstáculo que pode surgir repentinamente na estrada. E sabe-se que no dia a dia as nossas estradas estão cheias de surpresas. Estando na posição “hanging-off”, para alterar a trajetória da moto e desviar de um obstáculo, numa emergência, será necessário que o piloto volte para a posição neutra, para em seguida comandar o esterço. O tempo gasto nesta operação pode ser fatal. Por isso, esta técnica só deve ser utilizada em circuitos fechados de competição.

Notas:

29 - As superesportivas tecnicamente são as melhores motos para se fazer curvas devido basicamente ao menor ângulo de cáster (ângulo formado pelo canote de direção e uma linha vertical imaginária); menor distância entre eixos (tende a fazer um raio menor de curva com o mesmo ângulo de acionamento do guidão); e centro de gravidade mais alto (necessita inclinar menos).
30 - As custom não são motos apropriadas para fazer curvas devido ao grande ângulo de cáster; possuem um grande entre-eixos; possuem baixo dentro de gravidade, e são motos mais pesadas, gerando uma grande força inercial, ou seja, nas curvas, há uma força muito grande fazendo com que a moto continue em linha reta.

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