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Fisioterapia: quanto antes, melhor

Riscos de ficar com sequelas são maiores quando as vítimas de acidentes de trânsito não são encaminhadas no tempo devido ao fisioterapeuta

 Marina Lemle

 Há um ano e meio, a promotora de vendas Mariza Barbosa Simões trabalhava intensamente. Pilotando sua própria moto, prestava serviço para 30 lojas no ABC paulista. Um dia levou uma fechada de um carro, caiu e feriu o joelho. Levada pelo resgate ao pronto-socorro de São Bernardo do Campo, foi radiografada, enfaixada e recebeu alta, com a recomendação fazer repouso.

 Passado o período de licença médica, a dor continuou. Incapaz de trabalhar, ela não teve a licença prorrogada e acabou demitida. Prejudicada fisicamente até hoje – sente dor quando anda muito e principalmente quando faz frio – e ainda desempregada, está processando a empresa e cuidando de se tratar.

 Mariza tem alívio nas sessões de fisioterapia que faz na Clínica Equilíbro, em Diadema. O custo do tratamento é pago pelo seguro Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), que reembolsa em até R$ 2.700 as despesas com atendimento médico-hospitalar comprovadas pela vítima. Ela considera o valor pequeno, porque acha que vai precisar do tratamento por muito tempo ainda.

 “Nunca vou ficar 100%”, lamenta a paciente de 34 anos, que não usa mais salto alto, só anda de carro e faz fisioterapia de três a cinco vezes por semana.

 O fisioterapeuta da clínica, Tiago Villas Boas, acredita que a atenção recebida por Mariza no pronto-socorro foi insuficiente. “Não fizeram tomografia ou ultrassom. O raio X só mostra o osso, e não indica nada quando o problema é na parte mole”, explica. Para ele, um atendimento mais cuidadoso poderia ter ajudado na recuperação da lesão de Mariza, que demorou para procurar a fisioterapia. Ela ainda não fez a tomografia e, cansada de esperar autorização do SUS, diz que vai fazer por conta própria.

“Quando o tratamento começa logo após o acidente, as sequelas são bem menores. Mas se o paciente demorar a buscar a fisioterapia ou for para a fila do SUS, a sequela se agrava com o passar do tempo. É uma bola de neve”, completa.

Segundo o fisioterapeuta, a grande demanda e a falta de estrutura nos hospitais, somadas a alguns casos de má vontade de médicos, deixam o atendimento a desejar.

DPVAT insuficiente para sequelas neurológicas

Aberta a menos de cinco meses, a Clínica Equilíbrio dedica-se ao atendimento de vítimas de trânsito. A maioria das vítimas são motoboys de cerca de 30 anos de idade e “senhorinhas” vítimas de atropelamento. As lesões mais comuns são as fraturas em membros inferiores, mas também há casos de ruptura de ligamentos e alguns mais raros de sequelas neurológicas.

O tempo de recuperação depende da gravidade da lesão quando o paciente chega. No caso de fratura numa perna, leva de três a quatro meses. Segundo Villas Boas, os R$ 2.700 pagos pelo DPVAT são suficientes para a compra de uma cadeira de rodas e o tratamento, mas no caso de pacientes neurológicos, que precisarão de tratamento para o resto da vida, o valor está longe de cobrir os custos.

O primeiro mês de atendimento na Clínica Equilíbrio não é cobrado do paciente. “O certo seria que pagasse e a seguradora o reembolsasse, mas como muitos não têm condições, esperamos o recebimento do reembolso do DPVAT”, explica.

Villas Boas conta que geralmente os pacientes chegam bem abatidos, achando que nunca mais vão andar. Mas, ao conversar com outros pacientes e recebendo atenção, vêem que a situação é ruim para todos, e que alguns já estão melhorando. “Ver o antes e o depois melhora a auto-estima deles”, conta.

Segundo o fisioterapeuta, a maioria dos que fazem o tratamento de forma séria ficam bons e voltam a trabalhar. Já os que querem voltar rápido e abandonam o tratamento antes da alta têm mais chance de ficar com sequelas. Mesmo apresentando melhora significativa, pacientes que continuam sentido dores esporadicamente precisam de tratamento de manutenção.

Acupuntura contra dor e ansiedade

Além de fisioterapia, a Clínica Equilíbrio oferece acupuntura, que, segundo Villas Boas, reduz bastante a dor. Ele reconhece que nem sempre a opção é bem vista:

“As pessoas costumam ter medo das agulhas. Mas quando experimentam o tratamento e percebem a melhora, querem continuar. A acupuntura melhora inclusive a ansiedade dos pacientes, que passam a dormir melhor”, conta.

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